Somando-se os três motores, chegamos a 17,4 litros de deslocamento em absurdos 30 cilindros. O Corvette é responsável pela maior fatia dessa conta, com seu V8 chargered de 6.162 cc, seguido de Aston e Audi, com 5.935 cc V12 e 5.204 cc V10, respectivamente.
Baseado no motor LS9 do C6 e não no 7.011 cc do Z06, o motor do ZR1 é compacto (small block), apesar de sua alta capacidade. Construído a mão no Centro de Performance da GM em Wixom, Michigan, ele é equipado com compressor acionado por correia, auxiliado por um sistema de refrigeração que diminui a temperatura do ar na admissão. O motor é delicioso. Seu virabrequim é forjado em aço, as bielas são de titânio, os pistões são forjados em alumínio e as válvulas de escape recebem tratamento térmico especial.
Apenas o Audi tem motor entre-eixos, o mesmo V10 do modelo S8 e do Lamborghini Gallardo. Este 5.204 cc com cárter seco gera 54,05 kgfm de torque - o pior entre os três - mas é o que gira mais (8700 rpm). Seu pico de potência de 517 cv supera os 510 cv do Aston Martin, mas fica atrás dos 638 cv do Corvette.
O V10 da Audi entrega potência e eficiência graças ao alto regime de rotação e ao sofisticado sistema de injeção direta, sem compressores e outras coisas penduradas. Seu ruído não é tão maravilhoso como o do Gallardo sem a injeção FSI. Mas é maravilhoso mesmo assim.

Falando em ruído, o V12 6.0 l, 48 válvulas do Aston consegue entregar um som que só um V12 é capaz. Rico, “cremoso”, sedutor, em tons que os V8 e os V10 jamais chegarão. A Audi dirá que o dela é menor, mais leve, com menos componentes que geram atrito e que entrega os mesmos resultados com mais eficiência. Correto. Porém, use os três carros alternadamente e perceba que nada disso importa. Os 731 cc dos cilindros extras do Aston Martin geram uma sinfonia inigualável, colocando-o como orador da turma, e isso importa muito nesse tipo de carro. Pressione a tecla Sport e válvulas no escapamento se abrem, aumentando ainda mais o som. O botão Sport será o seu preferido no painel.
Não podemos esquecer que se trata de um motor de quase 15 anos, que não traz várias das tecnologias recentes, como a injeção direta, por exemplo. Apesar de ter muita potência e torque, não gira tanto quanto o V10 do Audi e consume bem mais que o V8 do Corvette. O V12 chega ao limite com facilidade quando exigido, ficando a impressão que ainda teria algo a dar, uns 50 cv, quem sabe?

O conjunto do R8 é o que mais convida para explorarmos seu limite, mais do que jamais tenhamos sido convidados no mundo dos supercarros. Como? Com um equilíbrio fantástico, estabilidade inigualável e sensação de dirigir plena, graças a seu sistema de tração integral, que funciona com precisão absoluta, sem exigir muito da suspensão Magnetic Ride.
Elogios? Claro que sim, apesar de que motoristas mais ousados reclamariam da falta de ter o que fazer, já que o carro faz sozinho todo o trabalho. O Aston vai em direção oposta, dando liberdade para interagir com a dinâmica do carro. O Corvette é uma mistura das duas coisas, mas cobra sempre a presença de seu condutor.
O Aston não se comporta de forma tão neutra quanto o R8. Não tem tração integral, o motor não está entre-eixos (apesar de estar bem perto disso) e você não pode abusar também dos Pirelli P Zero Corsa na chuva. No limite, exige pilotagem aguçada, que se faça exatamente o que deve ser feito. O V12 convida para uma guiada mais forte, no limite, pois é ali que mostra suas qualidades, diferente do Corvette, que pune o motorista pelos deslizes cometidos em altas rotações. Não é o melhor carro do teste, mas certamente é o mais prazeroso deles.

O ZR1 é de longe o mais rápido em aceleração. Faz de 0 a 100 em 3,6 s, contra os 3,9 s do Audi e os 4,2 s do Aston. Desligar o controle de tração do Corvette é pura diversão nesse tipo de teste, que proporciona derrapagens e “donuts” fantásticos, controlados com a combinação de acelerador e embreagem. O Audi e o Aston são os melhores nas arrancadas, graças aos motores colocados mais ao centro, conferindo mais aderência, por causa do melhor equilíbrio de massas.
Amortecedores reguláveis são itens de série tanto no ZR1 como no Audi, que têm opções “normal” e “sport” definidas pela atuação do campo magnético que interage com o fluido magnetizado dos amortecedores. O sistema é apelidado de Magnetic Ride. O Corvette responde de forma mais óbvia, com rolagem suave da carroceria, no Audi a resposta é mais neutra. Diferentemente dos dois, a posição “Sport” no Aston Martin não altera a suspensão, limitando-se a deixar o acelerador mais sensível e o escapamento mais aberto. Um sistema chamado DSC (Dynamic Stability Control) oferece três estágios: ligado, desligado e intermediário (track mode). Audi e Corvette também têm a opção intermediária, porém o ZR1 exigirá a intervenção do motorista mesmo nessa opção. Não é sensato nem necessário desligar os sistemas de estabilidade na estrada – todos os três carros são suficientemente soltos no modo intermediário para o motorista sentir-se convenientemente envolvido.
Inegavelmente o Audi tem o melhor conforto de rolagem entre os três, na verdade, o R8 deve ser o melhor Audi nesse quesito, comparável até aos grandes sedans. O Aston Martin, com sua suspensão de reações lentas é afetado também pela construção dos pneus de alta performance, gerando conflito entre conforto e desempenho. O Corvette? Apesar dos ótimos amortecedores, ele prefere pisos lisos e perfeitos.
Corvette e Aston Martin são equipados com freios de cerâmica, enquanto o Audi é de aço, oferecendo os cerâmicos como opcionais por R$ 21 mil. Aston e Corvette mostram ótimo desempenho em frenagem, nenhum sinal de fadiga e progressão interminável, apesar de que as unidades de aço do Audi não deixam a desejar. Nossos pilotos de testes gostaram mais dos freios do Corvette e do Aston Martin. No final das contas, o Corvette acabou eleito como o melhor freio dos três.

Pagando o preço
Com preços de R$ 300 mil e R$ 320 mil respectivamente, Audi e Corvette se equivalem. Para ter um Aston Martin Vantage você desembolsará R$ 405 mil. O mais vendido é o Audi, com 49% depois de três anos no mercado, seguido de perto pelo Aston, 42% e em último o Corvette (38%) não tão popular na Europa.
Os três vêm com navegador por satélite, controle de temperatura e bancos elétricos. O Audi tem bancos aquecidos, porta-objetos e sistema de som Bang & Olufsen hi-fi com disqueteira. Faróis com LEDs são originais no R8, com sensores de estacionamento opcionais (de série no Aston, indisponíveis no Corvette).
Mesmo sendo o mais caro da turma, o Aston tem o banco tipo concha de seis posições programáveis na lista de opcionais. Além do conforto, reduz o peso do carro em 34 kg. O sistema de som de 700 watts também é opcional.
O Corvette é o mais despojado de todos, mas não sentirá falta de nada. Dos equipamentos de série, os freios de carbono e o excelente display superior (head display), não disponível no Audi e no Aston Martin, que podem ser personalizados pela Via Audi Exclusive e Aston Works Service, mediante um bom pagamento, óbvio.

Dentro dos habitáculos
O interior de um esportivo deveria prover informação ao motorista de forma clara e direta, além de ter visibilidade eficiente. Nenhum deles atendeu a nem uma coisa ou outra.
O Aston Martin é dos três, o que tem o melhor interior. E mesmo com uma repaginação dos instrumentos, é falho na leitura e entrega de informações. A luz indicadora de marcha é impossível de ser lida de dia e as informações de painel são muito pequenas, dificultando a leitura. Alguns componentes Ford não combinam com a atmosfera, como o navegador por satélite e suas hastes baratas. Em compensação, é o Aston mais solidamente construído que já testamos, além de confortável, foram empregados materiais de primeira.
O Audi tem o mais eficiente interior, mas falha na ambientação. Falta apelo emocional. A alavanca de câmbio talvez seja o único item que remete a um apelo esportivo, num ambiente completamente invadido por componentes do TT (volante, bancos, navegador e controles de temperatura). Nada de errado com eles, mas num carro de R$ 300 mil, a Audi poderia caprichar um pouco mais, apesar de ter a melhor ergonomia e qualidade dos três.
A visibilidade no Audi também supera seus rivais, graças às colunas A, menos inclinadas e ao para-brisa maior. Mas o carro é difícil de manobrar por causa da posição do motorista, bem melhor no Aston, onde você enxerga melhor a estrada. O Corvette jamais ganharia uma disputa de melhor visibilidade na Inglaterra (onde foi feito o teste), afinal, só tem volante do lado esquerdo.
E o que dizer do interior do Corvette? Fraco, uma pena. OK sabemos que o carro custa nos EUA o equivalente a R$ 200 mil, mas precisava oferecer um interior tão despojado? Materiais baratos, layout ultrapassado, gráficos espartanos e bancos simples. E por falar em bancos, são muito ruins mesmo. A adoção de unidades melhores, mais anatômicas, sem dúvida aumentaria a sensação de pilotagem e segurança do carro em pelo menos 20%. A única coisa que realmente se destaca é o display com opções para diversos usos. É uma solução que o Aston deveria pensar seriamente, para amenizar seu crítico problema de leitura dos instrumentos.
O porta-malas do Audi tem capacidade de 100 litros em baixo do capô na dianteira e um pequeno espaço atrás dos bancos. No Aston Martin, 300 litros na traseira. Nenhum deles chega perto do Corvette e seus 634 litros em baixo do tradicional vidro traseiro de peça única.

O carro mais rápido leva o troféu. O Corvette ZR1 é feroz, musculoso e ruidoso como todo grande esportivo americano deve ser. Tem a honra de estar ao lado do Shelby Cobra como os melhores esportivos americanos de todos os tempos. Mas apesar de seu desempenho de carro de 1 milhão de dólares, intensidade e excentricidade, não é tão bem resolvido quanto o Audi e o Aston. Quando a estrada e o clima conspiram a favor, torna-se um carro soberbo. Mas tanto o Audi como o Aston tem mecânicas mais refinadas, que proporcionam mais diversão por mais tempo.
Escolher um vencedor entre o alemão e o inglês é praticamente impossível. O Audi é mais do que um carro brilhante, é um carro significativo, que reinventou o conceito de supercarros. Pode estar alinhado no grid das 24 Horas de Le Mans, como estacionar num café, fazendo as duas coisas com eficiência. A grande ironia é que o R8 deve ser a escolha de proprietários que sonham com longas viagens de férias, até descobrirem que quase não há espaço para bagagens como no Aston Martin ou no volumoso Corvette.

Aston Martin V12 Vantage
O maior motor da Aston Martin montado em seu menor chassi. Receita ruim ou o melhor conjunto? É o mais caro deles, com boa margem
Preço - $ 405 mil Motor - 5935 cc 48 v V12Potência - 510 cv a 6500 rpm Torque - 58,06 kgfm a 5750 rpmTransmissão - Manual, seis marchas, motor dianteiro, tração traseira
Corvette ZR1
Você precisará de muito mais dinheiro para comprar outro carro semelhante e ele. É monstruosamente rápido, mas não tão estável quanto os concorrentes
Preço - R$ 320 milMotor - 6162 cc 16 v V8 com compressorPotência - 638 cv a 6500 rpmTorque - 83,50 kgfm a 3800 rpmTransmissão - Manual, seis marchas, motor dianteiro, tração traseira
Audi R8 5.2 FSI quattro
Ficou ótimo com o motor V10 derivado do Lamborghini. Incrivelmente rápido e fácil de dirigir. Reescreveu a história dos supercarros
Preço - R$ 300 milmotor - 5204 cc 40v V10Potência - 517 cv a 8000 rpmTorque - 54,05 kgfm a 6500 rpmTransmissão - Manual, seis marchas, motor central, tração integral